Preços das casas em Portugal entre os mais altos da UE, confirma Comissão Europeia

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Um diagnóstico abrangente da Comissão Europeia sobre a habitação revela que Portugal se destaca no ranking como um dos países onde as casas estão mais sobrevalorizadas.

Um novo relatório da Comissão, intitulado Habitação na União Europeia: evolução do mercado, fatores subjacentes e políticas, publicado nesta terça-feira, analisa a evolução do setor na última década e situa Portugal entre as nações onde o preço das casas mais subiu e onde estes valores estão mais desconectados da realidade económica.

Enquanto os preços das habitações na União Europeia aumentaram, em média, cerca de 50% em dez anos, em Portugal a subida foi superior a 200%, colocando-o no mesmo patamar de países como Hungria e Lituânia.

A conclusão mais alarmante é a da sobrevalorização. Os investigadores estimam que o mercado português registou um aumento significativo dessa sobrevalorização em 2024, atingindo um pico de aproximadamente 35%.

O que explica esta pressão extrema sobre os preços?

  •  Impacto do turismo: Portugal é destacado como o país da UE onde o turismo teve o maior impacto nos preços das casas, especialmente devido ao crescimento dos arrendamentos de curta duração, como os oferecidos através do Airbnb.
  • Licenciamento moroso: Portugal tem o prazo médio mais longo da UE para emissão de licenças de construção. O processo é descrito como “sobrecarregado por requisitos de documentação complexos”, que criam “atrasos desnecessários”.
  • Investidores institucionais: O estudo nota que “investidores institucionais, como seguradoras e fundos de pensões, desempenharam um papel importante no aumento dos preços imobiliários na última década”. Em Portugal, estes fundos têm uma “exposição significativa” ao mercado, aquecendo a procura, especialmente em áreas urbanas.
  • Paradoxo dos imóveis devolutos: Num cenário de escassez, chama a atenção o elevado número de casas vazias. O relatório estima que “aproximadamente um em cada seis imóveis esteja devoluto em toda a Europa” — um problema que atinge Portugal com particular intensidade, colocando-o entre os países com maior percentagem de habitações devolutas.

O relatório da Comissão Europeia conclui que a crise habitacional em Portugal é alimentada, de um lado, por uma procura intensificada pelo turismo e por investidores e, de outro, por uma oferta constrangida por uma burocracia lentíssima e por um estoque habitacional subaproveitado. O resultado é um mercado sobreaquecido, no qual o acesso à habitação se tornou um desafio para milhares de famílias.

✨ Acesse no BOTÃO ABAIXO o relatório na íntegra, onde é possível obter todas as informações e gráficos que ilustram de forma clara e detalhada o panorama estudado. 

Fonte: Housing in the European Union: Market Developments, Underlying Drivers, and Policies  DISCUSSION PAPER 228 | OCTOBER 2025

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